Semana retrasada recebi um convite para participar da Greve dos Palhaços de Salvador.
Fiquei honrada com o convite, muito embora não tenha entendido direito a sua motivação: apesar de também ser artista e de ter uma grande inclinação à defesa de direitos em geral, não faço parte do universo clown e moro a uma distância relativamente grande para participar de tal evento.
Mas fiquei divertida me imaginando a percorrer 1962 Km para, precisamente, ir fazer greve na Bahia. E de palhaços, ainda por cima.
Não que eu menospreze a categoria, longe de mim. Adoro circo, palhaços, aéreos e tudo o mais; mas que é engraçado, isso é.
Não consigo imaginar de onde tenha partido a iniciativa para me convidar. O único baiano que conheço, pelo que me consta, não é palhaço e, mesmo que fosse, duvido que fizesse greve, adrenado como é.
Taí outro mito que a gente perpetua pelo desaviso e pela gracinha de zoar o vizinho: o de que baiano é preguiçoso. Em minha estada nos domínios de Caymmi não vi sequer uma rede, só um povo que acorda cedo pra caceta, trabalha pra bexiga e ainda por cima tem de enfrentar distâncias enormes em ônibus quentíssimos numa cidade que começa a ferver já às 6 da manhã.
Sim, também os palhaços têm direito à greve. Mas não vou me deter aqui nas questões concernentes aos direitos dos artistas em geral e da necessidade que a sociedade tem deles.
Só queria, mesmo, mostrar como os palhaços são geniais: mesmo quando estão em greve, conseguem fazer a gente rir.

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