Inicio aqui, agora, uma série inédita que visa o reconhecimento dessas figuras tão comuns a quaisquer localidades: o louquinho municipal.
Toda cidade, seja ela grande ou pequena, tem de contar com essa carismática figura que circula pelas ruas e alamedas perambulando sua graça e extravagância.
Me pus em dúvida, confesso, com relação à escolha de quem iria debutar esta coluna: se o primeiro doidinho do qual tenho lembrança ou da melhor que já conheci, num trem, a qual desconheço a moradia. Resolvi, a bem da memória, começar com a última que vi e que tenho, ocasionalmente, encontrado pelas ruas do centro de Mogi.
À primeira vista ela parece uma doidinha normal (dentro dos padrões de normalidade que a categoria exige), apesar de parecer um pouco agressiva. Nossa ilustre doidivanas anda com um saco na mão cheio de lixo: maços de cigarro, copos sujos de milk-shake, bitucas, latas e outros quetais que ela junta por aí. Mas a diferença dela logo fica clara: ela não sai apenas juntando lixo num saco para carregar à-toa: ela o cata e o armazena para jogar em outro lugar. Pois é: a figura pega uma garrafa numa lixeira, guarda e taca na rua, com bastante raiva e com o devido acompanhamento de impropérios variados, duas quadras à frente.
Reciclagem de lixo? Manutenção de dejetos? Talvez seja funcionária disfarçada da Queiroz Galvão. Vai saber…

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